Nos últimos anos houve um grande aumento do numero de vítimas durante a atividade do mergulho recreativo amador, fato inegável. Pode ser que seja pelo aumento de praticantes, pelo aumento da idade média dos mergulhadores e /ou pela precária condição física dos mesmos, como indicam os dados da DAN, que tive acesso recentemente no DAN ACADEMY no Chile, no mês de Abril de 2017. Hoje eu vou falar da importância do sistema de duplas.

Mas aqui não pretendo me ater aos motivos que levaram ao aumento dos óbitos, mas sim ressaltar algo que me chama muito a atenção: nos acidentes ocorridos recentemente ninguém viu o que ocorreu. Ou seja, a maioria das vítimas foi encontrada algum tempo depois, sem que ninguém tenha presenciado o que poderia ter desencadeado tal fatalidade. Isso prova que a premissa básica do mergulho recreativo está falhando: o sistema de duplas.

Em mais de 30 anos na atividade, tenho presenciado uma certa negligência desse fator primordial no conceito de segurança do mergulho recreativo amador.

 

 

Em mais de 30 anos na atividade, tenho presenciado uma certa negligência desse fator primordial no conceito de segurança do mergulho recreativo amador. Durante os cursos, ensinamos e praticamos exercícios de emergência baseados neste sistema. No entanto, existe um descuido da importância do sistema de duplas e do monitoramento do seu companheiro de mergulho, seja por falta de atenção das operadoras em seus briefings ou por falta de atenção e disciplina dos próprios mergulhadores. Parece indiscutível que estamos falhando neste ponto, uma vez que na maioria dos casos ninguém sabe como foi o início do processo do acidente. De forma alguma estou afirmando que os acidentes teriam sido evitados pelo sistema de duplas, mas em alguns casos poderia ter ajudado.

Levando-se em consideração que os mergulhadores recreativos são treinados e certificados para mergulhar em duplas, a sua segurança no fundo depende de sua própria atitude em respeitar as regras, os limites de seu treinamento e seus limites pessoais, tanto físicos como psicológicos. Além disso, é fundamental afirmar que o papel da operadora não é necessariamente guiar todas as imersões ou supervisionar os mergulhadores. No entanto, o que cabe à operadora é orientar os mergulhadores, ressaltar a importância do sistema de duplas e realizar o controle das duplas e de seus tempos de fundo.

 

Não é minha intenção aqui buscar ou apontar culpados. Faço até uma mea culpa, pois onde mais vemos este comportamento de negligenciar o sistema de duplas é nos grupos com mergulhadores mais experientes. Muitas vezes,  fotógrafos e instrutores acabam mergulhando sozinhos por força de sua atividade. Gostaria, portanto, de ressaltar o que me parece essencial para aumentar a segurança nesta atividade que tanto amamos. Afinal de contas, ter um dupla é uma questão de segurança mas, além disso, ter com quem compartilhar as belezas do mar é sempre mais prazeroso!

Um aventura segura para todos!

AV Dive – André Valentim